O
presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta quarta-feira (19/1) que conversou
com o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre
uma decisão do magistrado acerca da obrigatoriedade da vacinação de crianças de
5 a 11 anos contra a Covid-19.
“Quando
começaram as notícias de que a vacinas seriam obrigatórias e iam multar os
pais, eu entrei em contato, liguei pessoalmente ao ministro Ricardo
Lewandowski, e fui buscar o esclarecimento sobre isso dai. Ele esclareceu que a
vacina […] é não obrigatória para crianças”, disse o presidente durante
entrevista à Jovem Pan News.
“Na
conversa que eu tive com ele, ele deixou bem claro que não há intenção por
parte dele que essa autorização fosse dada a prefeitos ou governadores de
buscar os pais para aplicar sanções, sejam quais forem. Então esse é o
entendimento dele”, prosseguiu Bolsonaro.
A
decisão do magistrado, porém, vai exatamente no sentido contrário à declaração
de Bolsonaro. Nesta quarta, Lewandowski determinou que o Ministério Público
estaduais e do Distrito Federal atuem para garantir que sejam cumpridas as
regras do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) sobre a vacinação do
público infantil contra a Covid-19.
Atualmente,
crianças brasileiras tomam pelo menos 18 vacinas de forma obrigatória. De
acordo com ECA, “é obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados
pelas autoridades sanitárias”.
Em
caso de descumprimento, os pais podem ser multados de três a 20 salários
mínimos ou de R$ 3.300 a R$ 22 mil. Os responsáveis também podem ser acusados
de negligência e até responder por homicídio doloso, quando não há intenção de
matar, se ficar provado que a criança morreu por não tomar vacina.
Na
entrevista, Bolsonaro voltou a falar que a vacinação de crianças “não se
justifica”, pois, segundo ele, o índice de mortes de crianças para a Covid-19
não é grande.
“Não
vivemos um momento de doenças em crianças que estariam sendo internadas, que
estariam sendo entubadas, ou até perdendo a vida, que justificasse essa forma
de vacinar as crianças com, inclusive, vacinas não recomendadas, não aprovadas
por ninguém”, disse o presidente.
Apesar
da declaração, o Brasil registrou 301 mortes de crianças entre 5 e 11 anos em
decorrência do coronavírus desde o início da pandemia até o dia 6 de dezembro.
Isso
corresponde a 14,3 mortes por mês, ou uma a cada dois dias, segundo dados da Câmara
Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19. Esse é o grupo etário para
o qual a Anvisa aprovou a aplicação do imunizante da Pfizer na última semana.
Os
dados também mostram que 2.978 crianças receberam diagnóstico de Síndrome
Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Covid-19, com 156 mortes, em 2020. Neste
ano, já foram registrados 3.185 novas infecções e 145 falecimentos. No total, o
país contabiliza 6.163 casos e 301 óbitos.
Segundo
a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde
(Conitec), além dos casos de SRAG por Covid-19, até o último dia 27 de
novembro, foram confirmados 1.412 casos da Síndrome Inflamatória
Multissistêmica Pediátrica associada à Covid-19 em crianças e adolescentes de
zero a 19 anos – entre os diagnosticados, 85 morreram.
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